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Série A

Brasileirão: clubes ameaçam parar o campeonato em protesto contra a MP das bets

Dirigentes boicotaram reunião com o governo e pedem transição de seis meses a um ano para o fim dos patrocínios de apostas.

Andreas Pereira e Bruno Fuchs, do Palmeiras, no jogo contra o Internacional pelo Brasileirão, em São Paulo, em setembro de 2025. Foto: NullReason / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Os clubes da Série A passaram a discutir uma medida extrema para pressionar o governo federal: parar o Campeonato Brasileiro. A ameaça é a resposta dos dirigentes à medida provisória assinada no dia 25 de setembro, que proíbe as casas de apostas no país e, com elas, a publicidade das bets no futebol, principal fonte de patrocínio dos times hoje.

A articulação ganhou força na noite de segunda-feira (28), em conversas por telefone e mensagens entre presidentes de clubes, segundo o jornalista Marcel Rizzo, do Estadão, informação também publicada pelo O Globo. O primeiro sinal concreto veio na terça (29): a maioria dos dirigentes avisou que não iria à reunião marcada com o governo, e o encontro acabou cancelado. Até o Corinthians, que costuma manter boa relação com Brasília, aderiu ao boicote.

O que os clubes pedem

A principal reivindicação é tempo. Os clubes querem um período de transição de seis meses a um ano para encerrar os contratos com as empresas de apostas, em vez do prazo curto previsto na MP para a retirada das marcas de camisas, placas e estádios. Os dirigentes também consideram insuficiente a proposta inicial do governo, uma linha de crédito com juros baixos, e cobram outras alternativas para cobrir o rombo nas receitas até o fim de 2026 e ao longo de 2027.

Outro objetivo é trazer a CBF para o centro da negociação. A entidade tem os próprios interesses em jogo, já que o nome do Brasileirão e o da Copa do Brasil foram vendidos a uma empresa do setor.

A briga no STF

Em paralelo, a disputa corre no Supremo Tribunal Federal. O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), que representa clubes e federações, pediu para participar da ação movida pelas associações do setor de apostas contra a medida provisória. O Flamengo fez um pedido semelhante e calcula que pode perder até R$ 430 milhões com o fim dos patrocínios. A ideia dos clubes é agir em bloco, e não com ações isoladas.

Situação do Brasileirão

A ameaça surge em um calendário já apertado. O campeonato está parado para a Data Fifa e volta no dia 8 de outubro, pela Rodada 29, com jogos como Palmeiras x Bahia e Santos x Flamengo. Qualquer interrupção obrigaria a CBF a remarcar partidas numa reta final que ainda terá as semifinais da Libertadores, com Fluminense x Palmeiras e Estudiantes x Flamengo.

Por enquanto, a paralisação é tratada como instrumento de pressão, e não como decisão tomada. O próximo passo depende da resposta do governo às reivindicações e da análise do STF sobre os pedidos de suspensão da medida.