O Corinthians terá de tirar a marca da Fatal Fans do uniforme e de todos os seus canais. A Justiça de São Paulo concedeu nesta quinta-feira (1º) uma liminar que suspende a exibição do patrocinador, uma plataforma de conteúdo adulto por assinatura, e deu ao clube 15 dias para cumprir a ordem.
A decisão saiu da Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé, em uma ação movida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que havia aberto investigação sobre o acordo. O processo corre em segredo de justiça.
O que a liminar determina
Pela decisão, o clube precisa retirar ou cobrir o logotipo nos uniformes, nos espaços esportivos, nos canais digitais e em outras áreas de exposição, além de apagar os links que levavam à plataforma. A Justiça também exigiu a adoção de mecanismos eficazes de verificação de idade para impedir que crianças e adolescentes acessem o conteúdo do site patrocinador.
Para justificar a urgência, a decisão aponta que a publicidade da plataforma alcança um público infantojuvenil expressivo, já que a marca vinha sendo divulgada em vários meios ligados ao clube. A liminar cita o “risco concreto à integridade emocional” de crianças e adolescentes como motivo para agir antes do julgamento final.
Procurado pelo ge e pela Gazeta Esportiva, o Corinthians informou que ainda não foi notificado oficialmente. A Fatal Fans preferiu não se manifestar.
Quanto vale o patrocínio
O contrato foi anunciado em 27 de junho e prevê R$ 22 milhões ao clube, valor que pode chegar a R$ 31 milhões com o cumprimento de metas, segundo a Gazeta Esportiva. O acordo cobre quatro modalidades: futebol masculino, futebol feminino, basquete e futsal. No time masculino, a marca aparece no calção; no basquete, na parte de trás da camisa; no futsal, na barra inferior. No feminino, o espaço foi usado para mensagens de apoio à causa das mulheres.
Desde a assinatura, a parceria gerou críticas pela natureza do serviço da patrocinadora, mesmo com a diretoria afirmando ter consultado diferentes setores do clube, inclusive o feminino, antes de fechar. Em setembro, o logotipo já tinha mudado de lado no calção depois de uma reclamação formal da Nike, fornecedora de material esportivo, que não queria as duas marcas do mesmo lado.
A decisão chega em um momento delicado para as finanças alvinegras. Nesta semana, o clube suspendeu uma parcela da dívida da Neo Química Arena com a Caixa enquanto negocia os naming rights do estádio, e ainda corre para não perder o acordo de parcelamento da dívida bilionária com a União. Ter de renegociar uma receita de patrocínio agora aumenta a pressão sobre o caixa.
O Corinthians ainda pode recorrer da liminar depois de ser notificado.