Atlético-MG e Cruzeiro vão receber R$ 15 milhões cada um em patrocínio do Governo de Minas Gerais para compensar parte da receita perdida com a proibição das casas de apostas. O América-MG ficará com R$ 2 milhões, e o pacote total chega a R$ 32 milhões por ano.
O anúncio foi feito pelo governador Mateus Simões nesta semana, na sede do BDMG, em Belo Horizonte. Representaram os clubes o dono da SAF do Cruzeiro, Pedro Lourenço, o conselheiro atleticano Renato Salvador e Marcus Salum, pelo América.
De onde sai o dinheiro do patrocínio
Os recursos virão das verbas de publicidade de duas estatais mineiras, a Cemig (energia) e a Codemge (desenvolvimento econômico). O governador garantiu que há “zero dinheiro da saúde e da educação” no acordo, já que se trata de orçamento de propaganda institucional das empresas.
Segundo o governo, os valores foram calculados com base nos antigos contratos da Cemig com os clubes da capital, que duraram até 2015, e no modelo do Banrisul, banco estatal gaúcho que patrocina Grêmio e Internacional. A conta estadual representa cerca de um terço do que os times recebiam das empresas de apostas.
As marcas poderão ocupar mangas, costas ou até o espaço principal da camisa, caso o clube não tenha outro patrocinador máster. A posição será negociada com cada um. Os contratos devem ser assinados nos próximos dias, depois dos trâmites legais, e Athletic e Uberlândia também devem entrar no programa, com valores ainda não definidos.
Contrapartidas e prazo das bets
Em troca, os clubes terão de investir no futebol feminino, manter o trabalho nas categorias de base e distribuir ingressos gratuitos para alunos de baixa renda da rede pública em jogos escolhidos. “Acreditamos que o futebol mineiro é muito maior que as bets”, disse Simões.
A medida provisória do governo federal que encerrou a operação das apostas de cota fixa e dos cassinos online deu aos clubes até as 23h59 de 5 de outubro para retirar as marcas de bets dos uniformes e das placas. A partir do dia 6, as plataformas passam a ser bloqueadas. Até lá, os clubes precisam trocar os espaços das camisas.