Série A

Flamengo critica limite de estrangeiros; Vasco explica voto a favor da redução

José Boto e Saúl veem queda de nível no Brasileirão com o corte gradual de nove para cinco estrangeiros; Pedrinho fala em voto de confiança na CBF.

A redução do limite de estrangeiros no Brasileirão voltou a dividir os grandes clubes nesta quinta-feira (1º). No Flamengo, o diretor de futebol José Boto e o volante Saúl criticaram a mudança aprovada pela CBF e disseram que ela vai baixar o nível da competição. No Vasco, o presidente Pedrinho explicou por que o clube votou a favor, mesmo com um elenco com muitos jogadores de fora.

A nova regra foi aprovada em 21 de setembro, em reunião da CBF com os clubes das Séries A e B. Desde 2024, cada time pode relacionar até nove estrangeiros por partida. A partir de 2027, esse número cai uma vaga por ano até chegar a cinco.

Como fica o limite de estrangeiros

– 2027: até 8 estrangeiros por jogo
– 2028: até 7
– 2029: até 6
– 2030 em diante: até 5

Os clubes também aprovaram a divisão das 50 inscrições em duas listas: a Lista A, sem limite de idade, e a Lista B, para atletas de até 23 anos. Em 2027 serão 30 nomes na Lista A e 20 na Lista B; em 2030, 25 em cada. Segundo o Lance, a CBF se apoiou em um estudo que apontou queda de 40% nos minutos de jogadores sub-23 no Brasil desde que o limite subiu para nove.

Flamengo contra, Vasco a favor

Bahia e Flamengo foram os únicos clubes das Séries A e B a votar contra. Depois do treino no Ninho do Urubu, Boto, que é português, citou a Espanha, atual campeã do mundo, cujos maiores clubes entram em campo com poucos espanhóis, e Portugal, que não tem limite e segue revelando bons jogadores. Para ele, o problema do futebol brasileiro é não conseguir segurar talentos como Estêvão, e não a presença de estrangeiros. “Não é preciso de uma lei para isso”, resumiu o dirigente. O espanhol Saúl seguiu a mesma linha e disse que o jogador brasileiro precisa ganhar espaço pelo nível, não pela nacionalidade.

Pedrinho, em entrevista à CazéTV, chamou o voto vascaíno de “voto de confiança” na CBF, que, segundo ele, tem procurado ouvir os clubes. Mas admitiu que não vê a redução, sozinha, como o melhor caminho para fortalecer a formação de atletas e disse acreditar que o tema ainda será rediscutido entre a entidade e os clubes.

Até lá, a regra vale e obriga os grandes a planejar os elencos de 2027 com uma vaga a menos para atletas de fora.