O Santos vai continuar treinando no CT Rei Pelé. O clube assinou nesta quinta-feira (1º), em Brasília, um acordo com a União que renova a concessão do terreno onde fica o centro de treinamento por 20 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 20. A área pertence ao governo federal e chegou a ser colocada em leilão neste ano.
Pelo acordo, o Santos pagará R$ 145.167,42 por mês, valor que será corrigido pelo IPCA. Em 20 anos, a União prevê arrecadar cerca de R$ 34,8 milhões só com a concessão. Além disso, o clube terá de quitar uma dívida antiga de aproximadamente R$ 23 milhões em 120 parcelas mensais. Somando as duas frentes, o compromisso chega perto de R$ 58 milhões.
O que muda para o Santos
Na prática, o clube não compra o terreno: a área de cerca de 39 mil metros quadrados continua sendo da União, que manterá a fiscalização por meio da Secretaria do Patrimônio da União. O imóvel foi avaliado em R$ 79,76 milhões, já contando as benfeitorias feitas pelo Santos ao longo dos anos. O uso fica restrito à atividade esportiva e à formação de atletas, e o clube assume a conservação e o cumprimento de exigências administrativas, tributárias, ambientais e urbanísticas.
O acordo foi construído com mediação da Advocacia-Geral da União e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. A cerimônia teve a presença do presidente do Santos, Marcelo Teixeira, e de ídolos como Pepe, Clodoaldo e Serginho Chulapa.
Por que o CT estava em risco
O Santos ocupa o local desde fevereiro de 1996, e o CT leva o nome do maior ídolo da história do clube. A situação jurídica do terreno, porém, se arrastava havia anos, e a União chegou a organizar um leilão da área. Em julho de 2026, a disputa foi suspensa a pedido do Ministério Público Federal, que abriu investigação sobre o processo. Segundo a Placar, declarações de um assessor especial da Presidência sobre possíveis dificuldades para outros interessados no leilão estão entre os pontos que chamaram a atenção do MPF.
Com a assinatura, o Santos tira das costas uma preocupação estrutural em meio a uma temporada difícil dentro e fora de campo. Nas últimas semanas, o clube adiou repasses da venda de Chermont para colocar em dia salários atrasados do elenco. O novo compromisso mensal com a União entra agora no planejamento financeiro do clube para os próximos anos.
Próximos passos
A concessão é onerosa: o Santos paga pelo uso, e a União segue como dona do imóvel. O documento deixa claro que o terreno não será vendido ao clube neste momento, o que mantém aberta a discussão sobre uma eventual compra definitiva no futuro.