Pedrinho vai tentar mais três anos na presidência do Vasco. Depois de ter sinalizado aos aliados, no fim do ano passado, que não pretendia continuar, o dirigente mudou de ideia e admitiu que deve disputar a eleição do clube, marcada para 14 de novembro. O motivo, segundo ele próprio, é um pedido direto do novo investidor da SAF.
A virada acontece dois dias depois do leilão da Sociedade Anônima do Futebol vascaína, realizado na sexta-feira e vencido pela Almirante Participações, empresa dos sócios Marcos Lamacchia e Mário Junqueira. Na entrevista após o resultado, Pedrinho contou que o assunto foi tratado com os compradores e que a ideia é tocar o projeto em conjunto. “A tendência é essa, que a gente dê continuidade a esse processo”, disse o presidente, de acordo com o ge.
Investidor fez campanha aberta
Junqueira, que representou a Almirante na audiência da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, não escondeu a preferência. Elogiou a coragem do atual mandatário e afirmou que já pediu a ele que se candidate. Na prática, o comprador da SAF quer ter do outro lado da mesa, no clube associativo, alguém com quem já negociou toda a transação.
A decisão tem peso histórico. O Vasco não reelege um presidente desde 2011, quando Roberto Dinamite conquistou o segundo mandato e comandou o clube até 2014. Ao recuar da desistência, Pedrinho deixa para trás os argumentos que havia apresentado no ano passado, como o desgaste emocional e o tempo longe da família.
Calendário da eleição
As chapas têm até 15 de outubro para registrar candidatura, e Pedrinho ainda não formalizou a dele. O pleito vale para o triênio 2027-2029 e terá 7.084 sócios aptos a votar, dos quais 6.168 também podem ser votados, conforme os requisitos do estatuto. A data foi confirmada em setembro, depois de encerrado o prazo de impugnações e analisados os recursos apresentados à Assembleia Geral.
Enquanto a política ferve em São Januário, o time vive uma reta final apertada no Brasileirão. O Vasco é o 16º colocado, com 31 pontos em 27 jogos, apenas dois à frente do Grêmio, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. A equipe aproveita a pausa da Data Fifa para ajustar o setor ofensivo e ainda tem um jogo a menos que a maioria dos adversários diretos, o que pode ser decisivo nas últimas rodadas.
Para o torcedor, o recado dos próximos meses é duplo: a conclusão da venda da SAF e a campanha contra a queda vão caminhar lado a lado com uma eleição que, agora, tende a ter o atual presidente como favorito ao apoio do novo dono do futebol cruz-maltino.