Série A

Governo chama clubes das Séries A e B na terça para discutir crédito após fim das bets

Ministérios do Esporte e da Fazenda querem apresentar linhas de crédito para dívidas e receitas futuras dos clubes que perderam o patrocínio das casas de apostas.

Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Foto: Thaismay / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O governo federal vai sentar à mesa com os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro na próxima terça-feira (29), quatro dias depois de o presidente Lula assinar a Medida Provisória que proibiu as apostas esportivas e a publicidade das bets no país. A informação foi publicada pela CNN Brasil e repercutida por outros veículos ao longo do domingo.

O encontro é organizado pelos ministérios do Esporte e da Fazenda. A proposta do governo tem duas frentes: uma linha de crédito para ajudar os clubes a lidar com as dívidas que já existem e outra voltada a crédito futuro, para compensar parte da receita que deixará de entrar. Segundo a CNN, as conversas sobre o tema começaram há cerca de dois meses.

Até R$ 20 bilhões na mesa

De acordo com o SBT News, a reunião foi antecipada por pressão dos próprios clubes. A coluna informa que o governo estuda uma linha de até R$ 20 bilhões dentro de um programa nacional de reestruturação financeira do futebol profissional, com refinanciamento das dívidas a juros menores, prazo de 20 anos e dois anos de carência. Os detalhes ainda não foram oficializados.

Do lado dos clubes, o tom é de preocupação. Dez dos maiores do país (Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG) assinaram um manifesto contra a proibição, com o argumento de que o torcedor não pode pagar essa conta. Integrantes do governo, por sua vez, minimizam o impacto e afirmam que outras empresas já procuram ocupar os espaços nas camisas.

O tamanho do buraco

A maior parte dos clubes da Série A tem uma casa de apostas como patrocinador máster, e empresas do setor já começaram a notificar os parceiros sobre a possível rescisão dos contratos. Entidades ligadas às apostas prometem ir à Justiça contra a medida.

Os números ajudam a medir a dimensão do problema. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, calculou um impacto de até R$ 430 milhões para o clube. O Grêmio havia fechado um novo patrocínio com uma bet apenas 48 horas antes do anúncio do veto. No Corinthians, a Fatal Model ofereceu até R$ 120 milhões para ocupar o espaço máster da camisa, e o Botafogo vê a GDA Luma como alternativa para cobrir a perda.

A reunião acontece em plena Data Fifa, com o Brasileirão parado. Quando a bola voltar a rolar, restarão dez rodadas para o fim da competição, e muitos clubes ainda não sabem com que receita vão fechar a temporada nem como vão planejar 2027.