O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, reagiu com dureza à suspensão das casas de apostas no Brasil. Em pronunciamento na Flamengo TV na noite desta segunda-feira (28), o dirigente afirmou que a medida atinge em cheio o planejamento rubro-negro para 2027 e pediu que o Congresso Nacional ou o Supremo Tribunal Federal derrubem a Medida Provisória. Segundo o ge, o clube calcula deixar de arrecadar cerca de R$ 400 milhões.
A frase que resumiu o tom do discurso envolveu o meia Lucas Paquetá. “Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro?”, questionou Bap, ao lembrar que o Flamengo assumiu compromissos com base em contratos que, até a semana passada, eram legais.
O que disse o presidente do Flamengo
Bap disse que o clube não tem, hoje, condições de honrar tudo o que foi acertado com base nas receitas de apostas e que vai procurar novos patrocinadores, mas prevê valores bem menores do que os atuais. Segundo ele, o impacto atinge a folha do futebol, as contratações já feitas e até os esportes olímpicos do clube.
O dirigente também criticou a forma como a proibição foi decidida. Para ele, a regulação precisa de ajustes constantes, mas um banimento unilateral, no momento em que ocorreu, é difícil de entender e cria insegurança sobre contratos. Bap ainda previu um enfraquecimento do futebol brasileiro em relação ao argentino e disse que a medida não vai reduzir o endividamento das famílias.
O UOL também destacou o pedido do presidente para que a MP seja rejeitada pelo Congresso. Bap disse esperar que o tema seja revisto já a partir da próxima semana.
Entenda a proibição das bets
O Governo Federal anunciou na sexta-feira (25) a suspensão das casas de apostas no país, por meio de Medida Provisória. Novos depósitos nas plataformas já estão proibidos. As empresas têm até as 23h59 de 5 de outubro para devolver o saldo dos apostadores, e a partir de 6 de outubro sites e aplicativos devem sair do ar.
O presidente Lula também assinou um projeto de lei, que será enviado ao Congresso, para tipificar como crime a exploração de apostas de cota fixa. Junto com o anúncio, o governo lançou um programa de renegociação de dívidas voltado a famílias endividadas, incluindo quem se endividou com apostas.
A decisão mexe com praticamente toda a Série A, já que a maior parte dos clubes tem casas de apostas como patrocinadoras. Nos últimos dias, o Botafogo já passou a buscar receitas alternativas, e o Ministério do Esporte convocou os clubes para uma reunião sobre o tema. No Flamengo, a preocupação é ainda maior pelo tamanho da folha salarial e pelos compromissos já assumidos com o elenco para a próxima temporada.