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Flamengo: Betano não rompe contrato e deixa patrocínio em espera após MP das bets

Casa de apostas tinha direito de rescindir o acordo, mas optou por congelar o vínculo enquanto o Congresso não decide o futuro da medida provisória.

Pedro, atacante do Flamengo, em jogo do clube em 2025. Foto: Jester77aa08 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

A Betano decidiu não romper o contrato de patrocínio máster com o Flamengo depois da medida provisória que proibiu as apostas esportivas no Brasil. Segundo o Gávea News, a empresa preferiu deixar o acordo “em stand by”, ou seja, congelado, mesmo tendo no contrato a possibilidade de rescisão imediata por causa da mudança na lei.

A decisão dá fôlego ao clube carioca num momento delicado. De acordo com a mesma publicação, a Betano já quitou todos os pagamentos previstos para 2026, e o último repasse foi feito em 10 de setembro. Na prática, o Flamengo não perde dinheiro neste ano, mas segue sem saber o que acontece a partir de 2027.

O que muda na camisa do Flamengo

A medida provisória, editada em 25 de setembro, proíbe a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no país. Os clubes têm até as 23h59 de 5 de outubro para retirar as marcas de casas de apostas de uniformes, placas e canais digitais. A partir de 6 de outubro, as plataformas devem ser desativadas. Com isso, o Flamengo deverá entrar em campo sem a marca da patrocinadora no peito enquanto a regra estiver valendo.

A MP tem validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e precisa ser aprovada pelo Congresso nesse prazo de até 120 dias para virar lei. Se cair, o cenário anterior pode voltar, e é justamente por isso que a Betano preferiu esperar em vez de encerrar a parceria.

Impacto nas finanças rubro-negras

O acordo com a Betano é o maior patrocínio da história do futebol brasileiro, com valor de cerca de R$ 266 milhões por ano. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já estimou que o clube pode perder entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em 2027 se a proibição for mantida, somando patrocínio e outras receitas ligadas ao setor. Bap também disse que “o jogo não vai acabar com uma canetada”, em defesa do combate às apostas ilegais em vez do veto total.

O problema não é só do Flamengo. Catorze dos 20 clubes da Série A têm casas de apostas como patrocinadoras máster, e o dinheiro do setor representou quase 8% das receitas da primeira divisão em 2025. Nesta semana, 17 clubes, entre eles Fluminense e Cruzeiro, foram ao Supremo Tribunal Federal contra o fim das bets.

Próximos passos

O futuro do patrocínio depende agora da votação no Congresso. Dentro de campo, o Flamengo aproveita a pausa da Data FIFA para treinar sob o comando de Leonardo Jardim, enquanto Pedro defende a Seleção Brasileira no amistoso contra a Índia.