Série A

Corinthians: Tuma Jr. admite que eleição pode não acontecer e vê risco de intervenção

Presidente do Conselho Deliberativo diz que o pleito de 28 de novembro corre perigo por causa do inquérito do Ministério Público e de ações na Justiça.

Gramado e arquibancadas da Neo Química Arena, estádio do Corinthians, em noite de jogo pela Copa do Brasil em 2023. Foto: SOCCER DIGITAL / Wikimedia Commons · Public domain

A eleição presidencial do Corinthians, marcada para 28 de novembro, corre o risco de não ser realizada. O alerta partiu do próprio presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, em entrevista nesta quarta-feira (30), segundo o ge. Ele citou duas ameaças ao calendário: uma possível intervenção judicial no clube e as ações que contestam as regras do pleito.

Questionado diretamente se a votação poderia não ocorrer, Tuma Júnior respondeu que sim e disse que há “muita situação correndo” nos bastidores do Parque São Jorge.

Risco de intervenção no Corinthians

O Ministério Público de São Paulo conduz um inquérito cível, a cargo dos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, que apura se há motivo para uma intervenção judicial na associação. Para o presidente do Conselho, o cenário atual favorece essa saída. Ele avalia que a suspensão da votação da reforma do estatuto, provocada por uma nova liminar obtida por conselheiros vitalícios, reforça a leitura dos promotores de que os mecanismos internos do clube não funcionam.

Tuma Júnior sugeriu que o presidente Osmar Stabile procure o Ministério Público e proponha um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com as correções defendidas pelos promotores, antes que a situação se agrave. Segundo ele, ainda não é possível dizer quem comandaria o clube se a eleição for adiada: tudo depende do alcance de uma eventual intervenção, que pode atingir só parte dos órgãos ou colocar um interventor com poderes para travar qualquer deliberação.

O dirigente também voltou a rebater críticas de Stabile, que já o acusou de sobrecarregar a diretoria com requerimentos. Tuma Júnior afirmou que os pedidos partem dos conselheiros e defendeu sua conduta à frente do Conselho.

Regras da eleição na Justiça

Além do inquérito, um associado entrou com ação que aponta supostas irregularidades no processo eleitoral. O processo contesta a cobrança de taxas de inscrição (três mensalidades do título familiar para cada candidato, R$ 330, e 25 mensalidades do título individual para cada chapa) e a exigência de biometria facial em dia até sete dias antes da votação. Para o autor, o estatuto só pede que o eleitor seja maior de 18 anos, tenha pelo menos cinco anos de clube e esteja com as mensalidades em dia.

A crise política chega num momento delicado também nas finanças. Nesta quarta, o Corinthians já havia apresentado déficit de R$ 278,7 milhões, e a diretoria passou a depender da venda de jogadores para equilibrar as contas.

Dentro de campo, o elenco voltou a treinar no CT após a folga, com o retorno de Bidu e Gabriel Paulista em transição, e prepara o duelo com o Internacional.