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Corinthians e Caixa suspendem parcela da Arena e negociam naming rights do estádio

Pagamento de cerca de R$ 27 milhões que venceu em setembro fica congelado enquanto clube propõe que o banco assuma o nome da Neo Química Arena para quitar a dívida.

Neo Química Arena, estádio do Corinthians em Itaquera, vista do metrô em 2025. Foto: LuanCampSouza93 / Wikimedia Commons · CC0

O Corinthians e a Caixa Econômica Federal concordaram em suspender a terceira parcela de 2026 do refinanciamento da Neo Química Arena. O boleto, de aproximadamente R$ 27 milhões, venceu em 25 de setembro e ficou congelado enquanto as duas partes discutem uma saída nova para a dívida do estádio. A informação foi publicada pelo site Meu Timão nesta quinta-feira.

A pausa tem relação direta com a proposta que a diretoria alvinegra levou ao banco: a Caixa passaria a explorar os naming rights do estádio de Itaquera, e o valor desse contrato entraria na conta para que o débito, hoje estimado em cerca de R$ 630 milhões, fosse considerado quitado. Diante das conversas em andamento, clube e banco entenderam que não fazia sentido manter o pagamento das parcelas neste momento.

O que está em negociação

O nome do estádio é só uma parte do pacote. Segundo o Meu Timão, também estão na mesa o lançamento de títulos de capitalização, a migração das operações financeiras do clube para a Caixa (contas e folha salarial) e a criação de cartões ligados ao programa Fiel Torcedor.

O Corinthians ainda pede a devolução de R$ 27 milhões guardados numa conta reserva prevista no acordo de 2022. Esse fundo serve de garantia: se o clube deixar de pagar, o banco pode usar o dinheiro. Ele precisa ter sempre o equivalente a quatro parcelas trimestrais, algo entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões, conforme os juros. Como está em dia, a diretoria quer usar o valor para aliviar o caixa do dia a dia.

Hoje, o direito de nome pertence à Hypera Pharma, dona da marca Neo Química, em contrato assinado em 2020. Se a troca avançar, o clube pretende oferecer à empresa o nome de outras instalações, como o CT Joaquim Grava, para manter a parceria, de acordo com o ge.

O tamanho da dívida da Arena

A dívida do estádio representa cerca de 22,5% do endividamento total do Corinthians, calculado em R$ 2,8 bilhões. O contrato renegociado em 2022 prevê quitação até dezembro de 2041, com juros de 2% ao ano mais a variação do CDI.

Em 2023 e 2024, o clube pagou apenas os juros referentes aos anos em que ficou inadimplente com o financiamento original, de 2013. A amortização de fato começou em 2025, quando o Timão desembolsou cerca de R$ 93 milhões. No balanço do ano passado, o saldo devedor aparecia em R$ 642 milhões.

Neste ano, o Corinthians já havia pago duas das quatro parcelas previstas, cerca de R$ 56 milhões de um total aproximado de R$ 115 milhões. Com a parcela de setembro suspensa, o próximo vencimento é em dezembro.

A negociação acontece num momento delicado para as finanças do futebol brasileiro, com os clubes perdendo receitas de patrocínio de casas de apostas. Dentro de campo, o Corinthians luta para se afastar da zona de rebaixamento do Brasileirão e tem pela frente o Dérbi contra o Palmeiras.