O Flamengo é, em valores absolutos, o clube que mais tem a perder com o fim das apostas online no Brasil. Em entrevista ao programa CNN 360º, na sexta-feira (25), o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estimou que o clube deixará de arrecadar entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões no próximo exercício caso a medida provisória do governo federal prevaleça. As informações foram publicadas pela Placar.
A conta do dirigente para o conjunto do futebol nacional é ainda mais alta. Segundo Bap, o esporte vai perder “alguma coisa em torno de R$ 2,5 bilhões” no ano que vem. Ele criticou a ausência de um período de adaptação e afirmou que, sem preparo prévio, é “absolutamente impossível” conter a perda de receita.
O maior contrato do país
O principal ativo em risco é o patrocínio máster com a Betano. Assinado em agosto de 2025, o acordo tem duração de três anos e quatro meses e rende cerca de R$ 286 milhões por temporada ao clube, segundo a Placar, que o descreve como o maior do gênero no futebol brasileiro. Antes de fechar com a empresa, a diretoria avaliou outras sete propostas de casas de apostas.
A medida anunciada pelo governo proíbe novos depósitos nos sites de apostas a partir de sua publicação. Os apostadores têm até 5 de outubro para sacar voluntariamente o saldo, e os bancos que atendem as plataformas devem processar as devoluções restantes entre 9 e 14 de outubro. O presidente Lula ainda enviará ao Congresso um projeto de lei com penalidades para quem operar ou divulgar apostas.
Impacto no campo e fora dele
O alerta chega num momento esportivo favorável. O Flamengo lidera o Campeonato Brasileiro com 60 pontos após 28 rodadas, três à frente do Palmeiras, e está nas semifinais da Copa Libertadores, contra o Estudiantes, com jogo de ida marcado para 15 de outubro, em La Plata.
Uma redução de receita da ordem citada por Bap representaria parte relevante do orçamento anual e pode obrigar a diretoria a rever planejamento, investimentos e metas para 2027.
As bets são hoje a principal fonte de dinheiro novo para os clubes das divisões de elite do país. Por isso, o tom de Bap ecoa o de outros dirigentes, que aguardam a publicação oficial da MP e a tramitação no Congresso para medir o tamanho real do prejuízo e tentar reverter ou suavizar a decisão.