O governo federal anunciou na sexta-feira (25) uma medida provisória que proíbe as apostas esportivas e os jogos online no Brasil. A decisão atinge em cheio o futebol: segundo levantamento citado pelo jornal argentino Olé e repercutido pela Placar, 16 dos 20 clubes da Série A têm uma casa de apostas como patrocinadora principal.
De acordo com a Placar, a MP será publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também vai enviar ao Congresso um projeto de lei com punições para quem explorar, operar ou fizer propaganda de plataformas de apostas. Para virar lei definitiva, o texto precisa ser votado em até 120 dias na Câmara e no Senado.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, resumiu o efeito imediato da medida: “A partir de hoje não se pode colocar mais dinheiro nos sites de apostas do país.”
Prazos para o apostador
Quem ainda tem saldo nas plataformas poderá resgatar os valores até as 23h59 de 5 de outubro. Entre 9 e 14 de outubro, os bancos parceiros das empresas ficam responsáveis por devolver o dinheiro que não tiver sido sacado nesse período.
As casas de apostas se posicionaram contra a proibição e alertam para o risco de crescimento de um mercado ilegal. Do outro lado, conforme o Olé, 75% dos brasileiros apoiam o banimento total.
O tamanho do buraco
Os números mostram por que os clubes reagiram com preocupação. Ainda segundo o Olé, os patrocínios de bets somaram US$ 162 milhões (cerca de R$ 840 milhões) em 2026, e a projeção para 2027 poderia passar de R$ 1 bilhão. A Placar aponta estimativa de perda de até R$ 1 bilhão para o futebol brasileiro.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, vai além: fala em cerca de R$ 2,5 bilhões a menos para o futebol nacional no ano que vem e prevê prejuízo de até R$ 430 milhões apenas para o clube rubro-negro, líder do Brasileirão com 60 pontos.
O impacto já aparece em casos concretos. O Grêmio, 17º colocado, anunciou um novo patrocinador master do setor apenas dois dias antes da medida. O Botafogo tem contrato com uma casa de apostas válido até o fim de 2027 e já antecipou receitas deste ano.
O jornal argentino classificou a decisão como um “golpe para o futebol brasileiro” e levantou uma dúvida ainda sem resposta: como ficarão os uniformes de times estrangeiros com marcas de apostas que vierem jogar no Brasil em competições continentais.
Os clubes agora aguardam a publicação oficial da MP para calcular perdas e renegociar contratos, enquanto o debate se desloca para o Congresso.